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O papel da filantropia estratégica no enfrentamento às desigualdades estruturais no Brasil

Mônica De Roure, vice-presidente e diretora de relações institucionais da BrazilFoundation, diz que é preciso uma avaliação qualitativa, e não apenas quantitativa, dos recursos doados

Em 2022, de acordo com o Monitor das Doações da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), o país registrou mais de um R$ 1 bilhão em doações declaradas. Apesar do montante significativo, é preciso uma avaliação qualitativa, e não apenas quantitativa, dos recursos doados, a fim de aferirmos o que, de fato, vem sendo produzido em termos de investimento social no Brasil.

A filantropia estratégica implica na promoção de mudanças sociais sistêmicas, ou seja, o enfrentamento das desigualdades raciais, socioeconômicas e de gênero estruturais do Brasil. Isso significa formar pessoas e comunidades autônomas, com acesso a uma vida com dignidade e garantia de direitos. Propõe-se a injetar recursos flexíveis em iniciativas de médio e longo prazo, pois entende que não é possível gerar transformação a partir de projetos sazonais.

No Brasil, parte da cultura de doação ainda é pautada em leituras que pouco dialogam com as múltiplas realidades do país. Na filantropia estratégica, a condução dos projetos ocorre dentro de uma estrutura horizontal e adaptada aos contextos locais, onde as organizações da sociedade civil (OSCs) propõem a melhor forma de aplicar os recursos doados a partir de propostas relevantes de geração de impacto social.

Um exemplo vem de Minas Gerais, onde OSCs locais, com apoio da BrazilFoundation e da Mubadala Capital, alavancaram iniciativas para gerar oportunidades concretas para as populações de Igarapé, São Joaquim de Bicas e Brumadinho. Foram quatro anos de trabalho, que resultaram na capacitação técnica e profissional de 2.386 jovens e adultos, 6.500 m² de agrofloresta implantada, uma usina fotovoltaica instalada, construção de viveiros, hortas comunitárias e quintais produtivos e 23 feiras livres para venda da produção local, entre outros avanços.

Não é possível travar os desafios impostos pelas múltiplas desigualdades estruturais se não mudarmos a forma como a filantropia é encarada no país, onde a cultura de doação ainda se baseia em meritocracia. Precisamos dar voz e autonomia para as OSCs definirem as prioridades de suas ações de modo a transformar a realidade em que atuam. Há uma série de discussões em pauta e um longo caminho a ser percorrido, mas os resultados, que já começam a aparecer, mostram que estamos na direção certa.

Mônica De Roure é vice-presidente e diretora de relações institucionais da BrazilFoundation. Com mais de 20 anos de experiência no setor social, foi diretora do programa Brasil e de operações internacionais para América Latina e África da Ashoka Empreendedores Sociais. É doutora em Literatura Comparada pela UERJ e mestre em História Social da Cultura pela PUC-RJ.

O Rede Tênis Brasil (RTB) é uma organização que fomenta a prática do tênis levando o esporte gratuitamente às escolas públicas e promovendo a formação de novos talentos, além de auxiliar os alunos com aulas de reforço escolar. Desde 2014, o projeto já impactou a vida de 60 mil crianças e hoje atua nas cinco regiões do país.

Em parceria com a BrazilFoundation, o RTB conta com um fundo designado para captação de recursos – uma página no site da BrazilFoundation onde os doadores podem fazer contribuições, pontuais ou recorrentes, diretamente à instituição e com a possibilidade de benefícios fiscais. Por meio do fundo designado, a Rede Tênis Brasil está habilitada a captar recursos internacionais com doadores individuais, corporações, fundações, entre outras.


Fonte: O papel da filantropia estratégica no enfrentamento às desigualdades estruturais no Brasil – Forbes

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